Um Nobel para o jornalismo

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“Mentiras podem matar”, diz Maria Ressa, jornalista filipina, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, que completa: “Para o coronavírus, você deve ter uma abordagem que envolva toda a sociedade. Você não pode criar conteúdo divisionista, não pode tornar os fatos discutíveis. Você não pode manipular as pessoas.” Ressa não é a única, mas é a figura mais forte na resistência às fake news e ataques contra a mídia. Ela está afirmando que a luta contra os fake news é a luta pela democracia.
“O Nobel da Paz colocou luz em como os perigos para exercer nossa profissão, não apenas nas Filipinas, mas em todo mundo aumentaram.

O Prêmio Nobel da Paz de 2021 foi concedido aos jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov, “por seus esforços para salvaguardar a liberdade de expressão, que é uma pré-condição para a democracia e a paz duradoura”.

O presidente do Conselho do Nobel, Reiss-Anderson, disse que os premiados “são representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas”.

O porta-voz do governo filipino disse que estão muito felizes com o prêmio a uma filipina. Chegou a afirmar que existe liberdade de imprensa em seu país, que a prova é o prêmio. Mas não deixou de lembrar que Maria Ressa ainda tem processos a responder, chamando-a de “criminosa condenada” – quer dizer, o autoritarismo não tem cura.

Dmitry Muratov lembrou jornalistas que perderam a vida na mesma luta de procura da verdade, dedicando-lhes também o prêmio. Dmitri Mutarov é fundador do jornal Novaya Gazeta e dedicou o prêmio a seis de seus jornalistas, como Anna Politkovskaya, assassinados no cumprimento da missão. Diz que infelizmente não há um prêmio para os já falecidos.

O comitê norueguês afirmou que “O jornalismo baseado em fatos e a integridade profissional do ‘Novaya Gazeta’ o tornaram uma importante fonte de informações sobre aspectos censuráveis ​​da sociedade russa raramente mencionados por outros meios de comunicação”. O governo Putin disse que Muratov trabalha de acordo com seus próprios ideais e que o jornalista é “corajoso e talentoso”.

A liberdade de imprensa não é uma realidade universal. A perseguição aos jornalistas é.

Bem disse o comitê da Academia Real de Ciências da Suécia: “Ao mesmo tempo, eles representam todos os jornalistas que defendem esse ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas.”

Maria Ressa está mais próxima de nós e parece enfrentar problemas muito semelhantes. Compara o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, a Jair Bolsonaro. Os dois representam o autoritarismo. Duterte exibe um fuzil para o público, como se fosse essa a sua força.

É preciso lembrar que a liberdade de expressão é paradoxal. Fake news também são violações da liberdade de expressão. Os governos totalitários usam e abusam da liberdade de expressão para justificar seus fake news e ataques às instituições ou a pessoas que as representam.

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