Traição: cicatrizes da sobrevivência

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Quando um relacionamento de 10 anos, cheio de amor e companheirismo, é interrompido por uma traição, o mundo desaba e você enfraquece. Sua vida, até então, era perfeita, com almoço de família aos domingos, filhos, amigos. Você lembra do primeiro encontro, do pedido de namoro, do noivado, do casamento, da gravidez. E lembra também da apunhalada nas costas dada pela tua prima.

Sim tua prima roubou seu marido. Ela era frequentadora assídua das festas e dos almoços em família. E agora é você quem não tem mais família. Sua vida está um caos, o filho chora querendo o pai, a geladeira vazia nem importa mais, e você segue procurando respostas. Onde você errou? Onde se perdeu?

Você não errou. Você foi você o tempo todo. Leal, sincera, bonita, cuidadosa. O ato de roubar alguém que tem um relacionamento é, minimamente falando, abominável. Quem rouba quer ter o controle, quer ser como a esposa, não tem personalidade, capacidade de criar sua própria vida. Precisa da vida do outro, das coisas do outro, como um vampiro faminto dos contos de terror, sugando e sugando, tudo em sua volta.

E você com sua geladeira vazia e seu mundo sem chão tenta entender o porquê. Não tem explicação quando o assunto é amor. Amor? Abandonar uma família em busca de felicidade, não é amor, não tem explicação. Não julgo, cada um é livre para fazer o melhor para si, mas não pensar no sentimento da pessoa que esteve 10 anos a seu lado é infantil, sem nexo.

Ninguém é obrigado a ficar com quem não gosta mais. Concordo, desde que o outro, ferido e destruído, seja amparado, preparado, com uma ou duas conversas sobre o assunto. Há infinitas maneiras de terminar um relacionamento, mas sem empatia, é difícil, desumano. A mulher sempre sofre mais. Concordo também, está enraizado em nossa cultura, que o homem pode fazer o que ele quiser. Nós mulheres podemos também, mas o julgamento sempre será diferente.

O Abandono emocional pesa mais que uma geladeira vazia. Essa você enche, de amor de amigos, de trabalho suado, mas o buraco criado na mente e na alma, não cicatriza, não fecha. Aí sem chão você tenta viver, sobreviver, pelo teu filho, por incentivo de pessoas que te amam de verdade. A vida te dá mais alguns tapas e você, numa noite aleatória, num churrasco, meses depois de ser massacrada, encontra seu ponto de paz.

Um romance que começou na brincadeira, na zoação de amigos bêbados, e que foi ficando sério. A primeira vez que teu filho o abraçou você entendeu a traição no passado. Percebeu que merecia mais do que te davam. Merecia um lar de paixão, geladeira cheia e amor sem fim.

Entendeu que cada um tem o que merece, e que o casamento que tem hoje te supri. Hoje você tem seu almoço em família, seus amigos, que são outros, mas são amigos, e tem sua vida com amor de volta. A ferida é enorme, mas ela cicatriza. Qual o remédio para tanta dor e decepção? O tempo. Só ele vai te mostrar o que é bom ou ruim, só ele vai te dar paz e firmar teu pé para lutar nessa vida. Só o tempo cicatriza a alma, devolve a luz e mantém sua dignidade intacta. O

turbilhão de emoções confusas na descoberta da traição vai passar, no começo você não acredita, não tem fé, não consegue. Mas ele vai passar, e se você não encontrar seu ponto de paz, um novo amor, recomece sozinha, com luta, trabalho e duas camadas de rímel.

Se ame, erga-se, viva, um dia depois das feridas cicatrizadas, você vai agradecer a si. Pela capacidade de ser forte e corajosa. Encha sua geladeira e viva sua vida! Sem se importar com as cicatrizes que deixaram em você. Elas são a prova de que você sobreviveu.

 

Um rímel, um café e um textão é a coluna semanal de Juh Hunzicker

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