Sobre a popularidade do skate no Brasil: Rayssa, joão-de-barro e outros tópicos

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O skate, esporte outrora rejeitado e marginalizado, ganhou boa popularidade após as Olimpíadas. Também, pudera: com as medalhas conquistadas, o Brasil tornou-se, por alguns dias, a pátria das rodinhas. Aprendemos o nome de manobras, torcemos para que adolescentes japonesas tombassem na pista, voltamos a ouvir Charlie Brown Jr. e Avril Lavigne.

Prestamos muita atenção aos comentários de Karen Jonz, sobretudo ao vê-la conjugar o verbo “xerecar” em transmissão ao vivo. Também acompanhamos, com o mesmo interesse, os skatistas afirmarem que o esporte deles é “uma grande família”; e, dias depois, somos surpreendidos com uma treta entre dois nomes fortes do esporte brasileiro.

Enfim. Teve isso tudo, e teve a Rayssa Leal. E foi legal demais ver aquela garota representando o Brasil, conquistando uma medalha de prata. Foi tão bonito, e tão repleto de simbologia, que a vitória foi comemorada por petistas e bolsonaristas. Nem o Dráuzio Varela conseguiu tamanho feito, de reunir essas tribos. Nem o Norvana, aqui no Brasil, conseguiria. Mas a Rayssa é demais, e aquela skatista das Filipinas (amiga dela) também é. Os deuses do Olimpo desceriam do monte para parabenizá-las, se vivos ainda estivessem.

A Olimpíada causou consequências imediatas em solo brasileiro: dias atrás, quando passeava com a esposa e o cão pelo Parque Vitória Régia, notei cinco garotos praticando algumas manobras. Fiquei contente ao ver aquilo, o esporte ganhando novos adeptos, mas o cachorro não gostou daquilo e começou a puxar a gente de volta para o carro. Não teve jeito, tivemos que ir embora. Talvez não tenha gostado do barulho, ou não é muito afeito aos modinhas. Como ele não verbaliza seus medos e aflições, ficaremos sempre com essa indagação.

Mas nem todo o reino animal é contrário ao skate. Sábado de manhã, enquanto mexia nas plantas da varanda, me deparei com uma cena incrível. Uma pena não ter um chip na retina que me pudesse fotografar o momento, mas guardei na memória e tentarei descrevê-lo aqui da melhor forma possível: um joão-de-barro, já um pouco cansado do labor daquela quente manhã, decidiu pousar em um corrimão em frente ao meu bloco. Não sei se por falta de aderência das garras ou por estar acima do peso, fato é que o passarinho não conseguiu se segurar naquela base, e assim deslizou até o fim do corrimão. Não contente com o resultado, foi ao braço do lado contrário, e mais uma vez executou a mesma manobra radical com maestria.

Só me restou, a um só tempo, o papel de público e jurado. Dei nota dez para as duas manobras, executadas com perfeição. Sorri e bati palmas. Não é todo o dia que a gente encontra ave com tamanha habilidade. É a cidade de Bauru representando demais no skate. Referência no cenário nacional. Se tivéssemos um pódio para o joão-de-barro, o Chorão certamente entregaria a medalha de ouro. A Rayssa e a filipina dançariam com ele. O Kelvinho e a Letícia parariam de brigar.

Afinal, o skate, sem sombra de dúvidas, é uma grande família.

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