Preludio de algo

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Eu volto. Eu sempre volto. Volto para as suaves ondas do mar cobrindo os pequenos pés dela. Volto para o brilho juvenil de seus olhos, para os cabelos castanhos dançando com o vento enquanto sua risada preenchia a vida. Eu volto para o carro chacoalhando na pista, para o olhar assustado de mamãe no retrovisor. Volto. Volto para o antes das janelas fechadas, dos saqueadores, dos suprimentos básicos se esvaindo e do sangue grosso da violência escorrer das manchetes da televisão. Volto. Volto. Volto. Eu volto para a liberdade de dias distantes, quando nem dava conta de que a visão de um simples sorriso era tão importante. Eu volto.

Eu volto para segundos que se tornaram horas que, por sua vez, viraram anos atrás. Eu volto para o antes. Para o antes de me sentar no meio do quarto para assistir as quatro paredes vazias. O antes do começo de um nada que logo solidificou-se em um apavorante tudo.

Eu volto.

Thalita Cristiane da Silva

Thalita Cristiane da Silva

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