Pinguim, o vendedor de livros

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Em busca do sonho

Pinguim era um menino esperto, no auge dos seu catorze anos, amava estudar e jogar futebol; tinha esse apelido pois andava com os pés abertos, os meninos da rua o achavam engraçado, mas o respeitavam por que ele era um garoto esforçado, fazia de tudo para ajudar sua mãe, esta fazia faxinas para sobreviver e criar seus filhos. Pinguim era o mais velho, havia ainda Carlito de nove anos e Bela de sete.

Um dia ao sair da escola Pinguim andava pela rua cabisbaixo e chutando as pedrinhas, matutando o que poderia fazer aquele dia para conseguir um dinheirinho. Foi quando avistou uma senhora com dificuldades para colocar umas caixas na rua. Ele mais que rapidamente foi ajudar. A velhinha agradecida lhe deu uns trocados, mas foi o conteúdo das caixas que chamou a atenção de Pinguim. Eram livros! E estavam novinhos, Pinguim perguntou à senhora se ele poderia ficar com as caixas, e ela acenou com a cabeça que sim. Pinguim levou as caixas, para chegar mais rápido em casa pegou um atalho numa rua que passava em frente a uma faculdade. Ele então teve uma ideia, arrumou os livros no chão e começou a oferecer para quem passasse, com sua simpatia e agilidade Pinguim vendeu todos os livros e foi para a casa feliz, contou para sua mãe como tinha sido seu dia, e resolver caçar livros para vender, isso o motivou e foi dormir cheio de esperanças…

A Banca do Pinguim

O despertador tocou, Pinguim deu um pulo da cama animado. O menino sonhador tomou um café, deu um beijo na mãe, nos irmãos e saiu. Arrumou uma carriola e foi atras de achar livros para vender.
Assobiando feliz desceu a rua e seu amigo Jordão o parou curioso. O menino explicou o que iria fazer e seu rechonchudo amigo se dispôs a ajudar, correu imediatamente para casa separar alguns livros. O dono do bar da esquina olhava curioso e foi perguntar ao menino o que estava aprontando.
Pinguim respondeu e o homem sorriu, deu de costas e voltou para o bar. O menino sem entender ficou triste, mas não iria desistir só por que um ou outro não acreditava naquilo. Ele precisava de dinheiro e isso era uma forma justa e honesta de conseguir.
Jordão voltou quase caindo da escada entregou feliz ao amigo os doze livros que havia conseguido.
Pinguim, desceu a rua dando tchau para o gordinho e se deparou com o homem saindo do bar, tinha uma tábua na mão e um tripé. Deu de presente ao menino, seria sua banca, para vender seus livros, o menino com os olhos cheios d’agua agradeceu. Largou a carriola ali e foi levar a tábua para casa, encontrou sua mãe que estava saindo para mais um dia de labuta, que bateu palmas incentivando o filho. Quando voltou para sua carriola, uma surpresa, alguns vizinhos depositavam ali livros, Pinguim chorou, olhou para o céu e agradeceu. A alegria do menino contagiou quem passava na rua, Jordão de sua janela erguia as mãos como se comemorasse um gol. E pinguim com a carriola quase cheia seguiu, em busca de mais livros…

O Incentivador de Sonhos

Em dois dias Pinguim arrecadou mais livros que o esperado, pulava de alegria quando sua mãe disse que no dia de sua folga iria ajudá-lo com as vendas. Não via a hora, o menino eufórico separou os livros em caixas, didáticos, romances, infantis, ficção, auto ajuda. Queria comprar “um presente surpresa”, era aniversário da mãe, essas vendas seriam importantes.

E lá foram para a Rua das Oliveiras, na frente da faculdade, montaram a banca, arrumaram os livros e com a alegria de sempre Pinguim chamou a atenção das pessoas que passavam.

Foi quando meio tímido um garoto se aproximou. Pinguim o reconheceu, no primeiro dia, ele comprou um livro, Pinguim não lembrava qual exatamente, mas ficou feliz que o garoto chegava mais perto. Então a alegria foi maior que uma nova venda. Gusta, era um menino novo, dezenove anos, olhava os carros dos alunos a troco de algumas moedas. Falou ele a Pinguim que o livro que comprou bem baratinho o fez abrir os olhos para o mundo da administração, e ele através de um dos professores da faculdade, conseguiu uma bolsa e se matriculou num curso profissionalizante. Era um recomeço, depois de tanto tempo afastado dos estudos. Pinguim se energizou com a notícia, vendeu todos os livros aquele dia, deu um dinheiro à sua mãe, guardou outro pouquinho pra “o presente surpresa”, mas o que Pinguim descobriu naquele dia, foi um a imensa alegria. Naquele momento sua principal inspiração e motivação para novos dias de doações e vendas era tocar as pessoas através dos livros…

A vida antes dos livros

A vida sempre foi difícil para a família de Pinguim. A mãe trabalhava duro para sustentar os três filhos, Pinguim estudava e ajudava na criação e cuidados dos irmãos mais novos. Sonhador, o menino sempre fazia uns biquinhos para ajudar a mãe. Mas sonhava mesmo era tira-la das faxinas cansativas e dar uma vida melhor a todos. Fã de livros, quando podia ia à biblioteca municipal e passava um tempo de suas horas livres devorando títulos variados e imaginando como era ter um emprego decente, uma faculdade, uma vida melhor. Embora fosse novo já sonhava com isso. E um dia depois de um colega tira-lo como sonhador demais, Pinguim saiu da biblioteca cabisbaixo e foi chutando pedrinhas para sua casa, resmungando e tentando, ainda em vão ter uma ideia que mudasse sua vida, e teve…

Guto e o programa de tv

Guto era um jovem magrelo do terceiro ano de jornalismo da Faculdade, onde pinguim tinha a banca na frente. Sabendo da história do menino foi até lá conferir, já pensando numa matéria para seu jornal semanal.
Pinguim estava desanimado aquele dia, vendera 1 livro para um professor, ficou imensamente agradecido, mas precisava vender mais. Fora o presente de sua mãe estava faltando alguns mantimentos em casa, e a preocupação maior era seus irmãos menores. Foi quando Guto com seu jeito sorridente e despojado apareceu e começou a cutucar nos livros enquanto fazia perguntas aleatórias para Pinguim, que mesmo triste o atendeu sorrindo e mostrando as unidades que ele tinha aquele dia. Guto então fez uma proposta, de fazer com Pinguim uma matéria, o menino ficou maravilhado e com medo também, nunca havia aparecido na tv, mas topou, então marcaram para o outro dia.

Guto fez a matéria, entrevistou Pinguim que contou como começou a ideia de vender os livros, vendeu alguns para Guto gravar, enfim, foi tudo bem. Desmontou a banca, Guto agradeceu e lhe deu uma carona, Pinguim cansado aceitou. Já em casa o menino contou para a mãe como tinha sido seu dia. Imaginando como seria a exibição da matéria na faculdade, mal sabia ele que a tal matéria sairia na tv para a cidade toda ver, e foi dormir, sem imaginar o que estaria por vir…

A grande felicidade

No outro dia Pinguim perdeu hora e quando chegou na rua da faculdade para montar sua banca ficou impressionado com o tumulto, tinha várias pessoas, e ele sem saber de nada do que acontecia avistou Guto que logo veio de encontro ao menino.
O aspirante a jornalista explicou que a matéria tinha sido um sucesso e que as pessoas e outras emissoras da cidade queriam conhecer o jovem que vendia livros usados.
Pinguim, sem reação, mais uma vez olhou para o céu e agradeceu, conversou com jornalistas, pensou em sua família e vendeu livros, muitos livros.
Alguns dias depois, já com o presente comprado para sua mãe, andava nas ruas atrás de doações e um carro bonito e moderno parou perto dele e o chamou. Era um empresário da cidade, muito famoso por ações filantrópicas, esse falou de sua admiração pela atitude de Pinguim e ofereceu um emprego de meio período em uma de suas empresas. Pinguim, agradeceu, sorriu, chorou, abraçou o homem e contou para sua mãe. Seus irmãos felizes planejavam pedir alguns brinquedos novos, e a mãe só chorava de alegria…

Um ano depois…

Pinguim, novamente no programa de Guto falava de sua trajetória, de como o seu trabalho com vendas de livros o ajudou na nova fase. Estava estudando e trabalhando. Sua mãe fazia menos faxinas por semana, ficava mais com seus irmãos, cuidava mais da casa. Ele ainda tinha tempo para sua instituição, sim Pinguim criou com a ajuda do seu patrão uma ONG para ajudar adolescentes a melhorar seus estudos e se qualificar para o mercado de trabalho.
Guto chorava atrás das câmeras ouvindo tudo o que Pinguim falava. Em sua casa cheio de coisas para estudar Gusta vibrava feliz pelo amigo, e pela inspiração. E Jordão o amigo rechonchudo erguia as mãos pulando como se comemorasse um gol. Era uma grande felicidade. Pinguim enfim, parou de chutar pedrinhas cabisbaixo e se tornou um grande incentivador de pessoas. E sua frase final na entrevista comoveu ainda mais a todos. “Toque as pessoas com atitudes, incentive. Um livro surrado faz maravilhas aos olhos de quem quer vencer.”

 

Fim

Juh Hunzicker

Juh Hunzicker

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