Irmagens (ermagens)

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I

A hora lenta.
É secretamente, a hora passando.
Do cemitério antigo, álgido de sol,
e da luz forte d´árvores à brisa,
vem o segredo do teu passo.
A romagem tem início quando passa
a aragem nas estradas.
Quisera fosse teu, o ouro das pradarias,
mas tão-somente comes do recinto,
horas lentas, folhas palmas,
amarelo, o rubim, a violeta…

II

Cabelos brancos conservam a alma
das calçadas; cadeiras à sombra,
de madeira, alvejadas de cetim da idade.
A verdura suporta o sol, que conserva,
nas ruas esquecidas, gritos de crianças.

III

Já eram, a torrente, a garoa…
A garoa molhava o leme da nau
que jamais houve, e sem ouvido
jorrava filigranas de prata sob a luz.

IV

Passam as viúvas, sem ruído,
nas sombrinhas tecidas de flores
na alameda de árvores solares
e pássaros da tarde.

V

Vem, amigo, toma a minha mão
e metade do meu pensamento.
Eu completarei a figura
que me apresentas à metade.
O rio escorrerá, se fizermos a fonte:
dá-me a tua mão que pensa;
eu te darei a minha mão que entende.
…………………………………………………………
vem a onda repentina soçobrar o entendimento
…………………………………………………………
mas agora a onda é passada:
a crina do cavalo marinho
que provavelmente cavalgas.

 

Ana Katryna Cabrini

Ana Katryna Cabrini

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