E se fossemos um livro…

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No início dos anos 90, século passado, eu jogava futebol pelo nosso querido time do Laranjeiras, lá do Geisel, bairro de Bauru, interior de SP.

Nesta época, tempos bons, de sonhos e alegrias e que podíamos ficar papeando até tarde da noite na avenida Cruzeiro do Sul sem correr grandes perigos, um amigo de time, o Sabin, sempre me visitava para os bons bate papos.

Sabin, embora fosse um vigoroso quarto zagueiro, guardava um “quê” de poeta, filósofo e astrólogo. Nossos papos giravam não apenas em torno do futebol, mas também passeávamos por temas como literatura, política e ufologia. Sabin, certa vez, numa calorosa tarde bauruense e num local inusitado indagou:

E se fôssemos um livro? Sim, isto mesmo, se fôssemos um livro o que estaria escrito em nossas páginas? Fel? Mel? Romance? Drama? Receita? Ou tudo isso junto e misturado?

Achei aquela conversa meio estranha para aquele momento. Quantas indagações, e justo para um quarto zagueiro metido a “xerifão”!?

Tentei censurá-lo. Mas Sabin parecia um atacante impávido a correr para deixar seu tento e ininterruptamente mandava suas indagações:

Quem nos abre o que encontra em nossas páginas? Coragem? Entusiasmo? Esperança? Fanatismo? Reclamação?

E o craque Sabin prosseguia com suas “caneladas” filosóficas. Uns dois minutos depois das intrigantes indagações ele começou a afirmar que somos um livro; um livro de histórias incompletas, contraditórias, algumas vezes belas, noutras bem tristes.  Resolvi entrar na dele e indaguei:

E nós, será que estamos dispostos a interagir com nossos leitores?

Sabin veio em meu socorro e disse que, embora seja importante interagir com nossos leitores, ou seja, as pessoas que nos abrem todos os dias para nos ler, é fundamental que nos “abramos” e possamos estabelecer a leitura de nós mesmos a fim de que tenhamos contato com nossas páginas e, caso necessário, modifiquemos o rumo desta história. O conhece-te, atribuído a antigo filósofo, pode aqui ser resumido em:

Abra-te e leia-te!

Com a cabeça embaralhada por aquela prosa, resolvi encerrar o assunto. Afinal, estávamos no intervalo de uma partida de futebol que acontecia no Padilhão. Naquele momento eu não queria saber de “abra-te” e “leia-te”, mas apenas “goleia-te”.

 

Wellington Balbo

Wellington Balbo

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