A mensagem

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Faz três ou quatro anos em que tive a iniciativa de enviar-lhe um comunicado. Apesar de nunca mais ter escrito qualquer outra coisa, ela segue me enviando suas mensagens tempestivas. Inicialmente, era algo esporádico. Apenas no verão suas mensagens tornavam-se mais intensas. Até de madrugada eu poderia recebê-las. Mas desde que esta terrível pandemia iniciou-se, ela começou a intensificar seus contatos. O assunto já não era o mesmo de antes. Pelo menos, nem sempre. Ainda assim, me deixava em estado de alerta. Passei a evitar certos ambientes e até a mudar as minhas rotinas. Já pude experimentar algumas de suas “promessas”, vamos assim dizer, tornarem-se realidade. Felizmente, nem todas.

Sou um Frei e vivo ha quase uma década na mesma cidade: Bauru. Dizem que isso não é nada bom, pois se corre o risco de se apegar a casa, ao trabalho, às pessoas e, o que me parece pior, a alguém em especial. Às vezes me questiono se não me apeguei a ela e suas mensagens. Quero dizer… Quando oficializar-se a minha transferência para Araucária, enviarei a ela a minha nova localização? Desejarei que ela continue a se comunicar comigo? Creio que sim. Agora há pouco, ela me enviou outra mensagem no qual se lê: “ALERTA! Sua região está na Fase Vermelha do Plano São Paulo. Apenas as atividades essenciais estão autorizadas. Preserve a vida de todos”. Bem, acho que a defesa civil está cuidando de mim. Chegando à minha nova cidade, enviarei meu novo CEP via SMS para o número 40199.

Claudio Luiz Ferreira

Claudio Luiz Ferreira

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