Por que nos apegamos a personagens de ficção?

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Olhei no relógio, eram 3 da madrugada. Eu estava andando pela casa com o peito apertado e chorando copiosamente. O George havia morrido. Vivi muito tempo pensando em sua morte, ainda penso. Por que ele? Era um cara inteligente, bacana, solicito com todos, não merecia esse fim.

Não, George não é meu familiar, nem amigo, nem paquera. Ele é um personagem da série Grey´s Anatomy. A questão maior nesse caso é saber por que nos apegamos em personagens de ficção?

Personagens enigmáticos e carismáticos. Nos tocam com sua história de vida e atitudes. Somos carentes de pessoas incríveis, criadoras de seus próprios destinos. Sim, precisamos aquecer nosso coração com isso. Temos que ter um herói, mesmo que não use capa, mas que nos mostre caminhos de amor, luta e diversão. Que mostre que a vida é boa e deve ser vivida da melhor forma. E eles nos dão isso. Torcemos, xingamos, corremos junto, aplaudimos quando tudo dá certo. Nos frustramos quando algo não sai como queremos.

E choramos quando morrem. Quando a morte é injusta. E ela é, muito. Ele teria sido maior, mais feliz, mas morreu. Poderia ser aquele vilão ou o homem do cafezinho a morrer. Mas morre alguém em que nós nos espelhamos, uma pessoa sensacional que nos alegra e, que depois de um dia cheio, você chega em casa para vê-lo, saber como foi o dia dele e contar como foi o seu.  Ah, George quanta falta você faz. Salvou a moça do acidente e se foi quase anônimo.

É bom ter um apego assim em personagens. Nos tiram da realidade, nos trazem a proximidade e amizade que muitas vezes nos faltam, a dose necessária de sentimento. Tem aqueles extremamente apaixonantes que geralmente são serial killers, esses eu confesso que amo muito. Um em especial é policial, um cara fantástico, inteligente, mas um sociopata nato, mata aqueles que matam. Eu vibro, admiro sua luta diária em esconder das pessoas que o rodeiam quem realmente é. Dexter consegue, com muitas confusões e aventuras. O modo que nos apaixonamos por seres fictícios nos mostram como somos múltiplos sentimentalmente, pois amar um serial killer na vida real com certeza é um ato abominável, mas um personagem nos traz essa liberdade. É essa magia que me encanta cada vez que assisto algo que me prende. Defendo, admiro, sou devoradora desses seres complexos e apaixonantes.

E nem todos morrem, viu? Uns casam e você chora, outros matam zumbis para sobreviver. Alguns até manipulam química no meio do deserto e enquanto assiste para ver qual será a próxima enrascada que irão se meter, você só pensa que lá era o lugar que queria estar. A melhor companhia em 1 ou 18 temporadas.

E se você se pegar chorando de amor ou raiva por um personagem, as 3 da madrugada, não estranhe, você faz parte do clube.

 

Um rímel, um café e um textão é a coluna semanal de Juh Hunzicker

 

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