Nina, a menina do cabelo prateado

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Nina era pequenina e sonhadora, amava ler poesias e vivia com livros para todo lado. Mas havia algo que a deixava muito triste: seus cabelos prateados. Não por ela. Já havia se acostumado com seus fios brancos, que já eram muitos, quase todos. Ela gostava do seu visual, o problema era o bullying dos amigos. Amigos?

Olhando no espelho, fez um coque, soltou e fez uma trança, suspirou. Nada faria esconder aquele cabelo. Colocou um chapéu e foi para a escola.

Tentava ter paciência, mas nem sempre dava. Nesse caso ela se isolava, ficava quieta, preferia agir assim do que ser grossa ou ofender alguém.

Na sala de aula tudo era motivo para tirar sarro do cabelo de Nina. A chamavam de vários nomes, mas vovó Nina era o que mais a chateava.

Certo dia a professora de artes flagrou um insulto à Nina. Ficou pensativa e triste por ter que aplicar uma advertência no aluno, e principalmente pela menina.

Alguns dias depois todos estavam eufóricos pois era prova de artes, e sabiam que seria difícil. Nina estava tranquila pois havia estudado, se dedicado muito para a prova, estava preparada.

Um garoto lá da frente gritou: ‘’ A vovó soltou o cabelo hoje, vejam!’’

E todos riram. Mas o sorriso durou até a professora entrar na sala. O silêncio doía. Todos ficaram com os olhos esbugalhados e engasgados. Uns de emoção, mesmo sem saber o que aquela emoção era. Outros sentiram medo de rir.

A professora estava com seu cabelo, que era um senhor cabelo, cacheado até os ombros, tingido de rosa. Sim, o cabelo da professora estava rosa, um rosa pink, que gritava por liberdade.

Ela os olhou, em silêncio, e aquele silêncio durou alguns minutos. Nina no fundo da sala chorava, mas era um choro de alívio.

A professora belíssima com seu cabelo cor de chiclete escreveu na lousa. “É normal ser diferente”.

E a partir daquele dia, ninguém mais tirou sarro do cabelo prateado de Nina, alguns até fizeram amizade com ela. E Nina enfim sorriu. Seu sorriso era largo. Ela brilhava com seu cabelo prateado, solto, preso, com laço ou trança.

Sorridente e feliz.

 

Com esse texto me despeço de 2021. Um ano de aprendizado e de oportunidades. Sou grata por elas. Thiago, obrigada por tudo, por ter permitido que 30 textos meus fossem ao ar no Bauru Literatura. Amo essa casa!

E não poderia terminar sem um spoiler: Em 2022 teremos muitas novidades. Que o verdadeiro espírito do Natal nos encha de paz. Boas festas.

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