Editorial: de quando falei da importância de nossos autores e de uma congregação literária

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Em 2019, logo após editar a poesia de Luiz Vitor Martinello em S´Obras Poéticas – Poesia Revisitada, refleti sobre o panorama geral da literatura bauruense. Enquanto produzia o livro, conheci diversos escritores da cidade. Fiz amizades, discuti literatura em salas de editoras, mesas de bar, em bate-papos animados via internet e em eventos organizados pelo Sesc. Em certo momento, percebi que mais conhecia os autores do que suas obras de fato. Sem dúvida, pessoas incríveis, mas como ter acesso ao que escrevem?

Publicações esparsas, tiragens pequenas, um ou outro escritor avançando pelas redes sociais. As vezes, uma obra coletiva como um panorama geral e outra dúvida: como compreender a produção literária bauruense? Como reconhecer e valorizar se, possivelmente, grande parte da população os desconheça?

A criação do Bauru Literatura tem como eixo central a divulgação de nossos autores. Um espaço gratuito oferecendo uma espécie de carta de intenções a nossa população. Estamos aqui, leitores. Fiquem a vontade para nos ler, comentar e compartilhar nosso trabalho.

A intenção é estabelecer pontes e transmitir conhecimento. Se conectar com um público em potencial para maior consciência de nós como coletivo, escritores e leitores. Em seguida, iremos além: mapearemos editoras, livrarias, sebos e tudo que envolve a literatura e o mercado editorial em nosso cidade. A principio soa audacioso, com paciência, construiremos um vasto conteúdo.

Como polo do centro-oeste, com efervescências culturais, é extremamente importante sabermos como a cidade observa sua literatura. Como ela dialoga com a cidade também. Bauru é uma cidade leitora? Ainda não sei responder essa pergunta. Mas conheço outros dados importantes.

Na última pesquisa Retratos do Brasil sobre leitura realizada em 2020, o país perdeu cerca de 4 milhões de leitores. Se antes éramos 56% da população, hoje somos 52%. Certo que ainda estamos ganhando, ainda mais se observarmos que nossa média de leitura se manteve em 4,2 livros por pessoa. Porém, assim como nossas infindáveis pilhas de livros para ler, queremos mais.

E para alcançarmos um melhor patamar no futuro, precisamos começar com as bases que temos. Redescobri-las, reconhecê-las, compreendê-las para nos solidificar  tanto como um grupo de escritores quanto para formar leitores e, acima de tudo, compreendermos nossa identidade, seja como cidade, como autores, como um coletivo literário. Formar uma congregação a partir da leitura.

A missão do Bauru Literatura é fornecer um espaço adequado para que conheçamos tais autores. Um primeiro passo para criarmos um público leitor, tanto local, quanto global. Compartilhando leituras e leitores diversos. Enriquecendo-nos com a própria arte.

Esse espaço é de todos nós. Escritores e leitores que dividem a paixão pela leitura. Portanto, se você escreve, mande seu texto para nós. Se tem uma editora na cidade, participe das futuras publicações temáticas. Se irá promover um evento literário, temos também um calendário para que não percamos nenhum momento para discutirmos literatura.

Nossa intenção é criar caminhos, mapear autores e leitores, nos conhecermos. Pois, embora a cultura ainda seja relegada a um segundo plano em certas esferas, ela nunca foi tão necessária. Principalmente em tempos pandêmicos como fuga ou resistência. É nesse caos ainda confuso de um novo ano que o Bauru Literatura se faz necessário. Um aporte cultural em meio ao mundo caduco. Um espaço de resistência pela arte.

Assim, peço que recebam com carinho nosso primeiro time de escritores parceiros: Ana Maria Barbosa Machado, Bruno Sanches, João Correia Filho, José Carlos Brandão, Luiza Carvalho, Patrícia Lima, Rebeca Almeida, Rosa Leda e Sônia Brandão. O grupo se divide entre autores que participam republicando texto lançados em outros espaços digitais ou em livros físicos, bem como materiais inéditos ainda não publicados. E colunistas que, semanalmente, também produzirão material exclusivo para o portal.

Como um espaço intermediado e colaborativo, ele não possui funcionalidade sem a sua participação. Dessa forma, muito obrigado aos escritores e leitores que estão presentes. Sejam bem-vindos e convidem amigos.

A palavra agora está com vocês.

 

Boa leitura,

Thiago Augusto Corrêa

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