Dá uma chance aí, ó pá!

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Tem uns três anos que comecei a ouvir música portuguesa. Pesquisar artistas, bandas e ritmos musicais do além mar. E, desde então, tenho encontrado uma infinidade de coisas muito interessantes. A primeira paixão foi o disco homônimo de Luís Severo: o clima urbano, moderno e indie entra em conjunção com a música popular produzida naquele país, sobretudo o fado. A isso, soma-se a habilidade lírica do cantautor em desenvolver cenários e sentimentos com muita precisão, e que emocionou, por muitas vezes, a este que vos digita esse texto. O que dizer deste pequeno excerto, dotado da mais pura filosofia: “Com o passar dos anos / Cruzamos oceanos / e deixamos tudo igual”. Ou essa percepção livre sobre a cidade que mora, que contempla: “Lisboa, chora agora / Não há filho teu que não te venda /Fazem de ti boneca, à espera /Que no fim ainda tenhas remenda“.

Após isso, conheci a obra de outros artistas, antigos ou contemporâneos. O folk misterioso de Sérgio Godinho, que na música “A Noite Passada” parece dialogar com Nick Drake; Lena D’água, cantora dos anos 1980 que continua na ativa, inclusive com o “Desalmadamente” de 2019 sendo um dos seus melhores discos. Outro álbum de 2019 que ouço com frequência é “A Montra”, da banda Cassete Pirata. Os arranjos são caprichados, e as letras, elaboradíssimas. Aliás, um pequeno parêntese que faço: quando temos contato com o português de Portugal percebemos o quanto é outra linguagem, outro universo; é como se tivéssemos tomado de empréstimo para nós, criado outras tantas coisas, mas o português de fato ainda estivesse lá. “E se esta for a minha sina / que baixe o preço da propina / eu legalizo a morfina / e coso minhas próprias feridas”. Essa é uma parte da música de “Vida Dupla”, do Rapaz Ego. Quando iríamos nos deparar com uma música assim em nossa língua? E a entonação, as acentuações, todas tão distintas?

Bom, há quem não goste do jeito português de falar e cantar, e a partir daí crie uma barreira psíquica, o que é uma grande tolice. Perdem de conhecer Janeiro, Jasmim, Benjamim (e o álbum “1986”, que ele gravou com Barnaby Keen), Capitão Fausto, Clã, e tantos outros.

Dá uma chance aí, ó pá!

Outras publicações

Rolar para cima