A luta do século: Eu X Minha Ansiedade

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O ringue estava pronto: de um lado eu, embora com medo sempre. Do outro, plena e implacável, minha ansiedade. Ela era uma boa combatente e adversária.

As luzes acesas, o juiz Bom Senso estava nervoso, sabia que seria uma grande luta.

Na plateia, boletos, amor platônico, cólica, inimizade, fofoca, angustia, insônia. Adivinha para quem era a torcida?

Pois bem, a luta começou. Dei um direto no queixo dela e a bendita me acertou na barriga, bem no estômago.

Ah como doía, toda vez que ela atacava assim. Uma dor imensa. A reunião era na sexta, mas na segunda já me consumia. O happy hour com os amigos era no sábado, mas quarta  já acordava pensando como seria.

Tento me controlar com chás, músicas e livros, mas ainda assim ela persiste. Escrever também ajuda e muito. Alivia, mas as vezes não passa.

Voltei para meu corner e me recompus. Ela erguia as mãos e incitava a torcida.

Era muito barulho. Tentei me concentrar. Minha mente me levou a meu refúgio preferido. Uma sala com lareira e vinho. Lá eu ficava quieta, voltava a ser forte. Isso durou alguns segundos até o gongo soar novamente.

Ela me atacou, dessa vez nas pernas. Sempre que fazia isso eu caía. E dessa vez não foi diferente. Senti uma dor horrível, era meu ‘’’tendão de Aquiles’’. Minhas pobres pernas, queria um banho morno com sal agora. Mas tenho que me levantar. A luta ainda não acabou. Fui acertada com um soco na face. Nem preciso falar como dói.

Caí de novo,  juro que ia entregar a luta. Mas no fundo da plateia estava meu amor próprio, sozinho num canto escuro, comendo uma pipoca, aflito, ele me viu, cerrou os punhos e disse: Vai! Luta!

E eu me ergui, lutei, fui para cima da minha ansiedade com tudo. Dei um soco para ter paz, outro no estômago para ser feliz. Um, dois, na face para ter dignidade. Ela não iria vencer, não hoje. Hoje eu seria vitoriosa, teria paz sem dores.

Ela caiu mas levantou, era forte, sua torcida era maior. Me acertou de novo no coração. O amor platônico vibrou. Era ele que sempre a incentivava. Mas eu estava determinada, ela não venceria, embora eu estivesse cansada. Muito cansada.

Resolvi olhar para meu amor próprio de novo, ele estava quietinho, percebi o quanto ele sofria também. E decidi virar esse jogo por ele.

Fui para cima, com garra e força. E a acertei, ela caiu e não levantou. Eu venci! Venci minha ansiedade.

O bom senso ergueu meus braços e declarou a luta encerrada.

Meu único torcedor lá de longe vibrou, parecia mais sereno e muito feliz. Eu me sentia bem, não tinha dores.

Era uma sensação de alívio, depois de tantas batalhas travadas eu finalmente venci. No fundo foi bem simples. Meu torcedor me ajudou, o apoio nessas horas é fundamental.

Venci porque acreditei, porque fui fiel aos meus sentimentos bons.

Os torcedores foram saindo um a um, tristes, cabisbaixos, pois aquele dia sua heroína não venceu!

Eu os vi, olhando para mim, decepcionados. E eu amei aquilo. Me fez forte. Eu me sentia especial, com super poderes. Minha ansiedade não foi a única derrotada do dia, mas todos eles que me afligiam.

A partir daquele dia seria assim, todas as batalhas eu e meu ajudante, o amor próprio, não nos entregaríamos, nós venceríamos. Sempre.

Sem angustias, sem dores, com golpes fortes de puro amor para enfim ser feliz!

 

Um rímel, um café e um textão é a coluna semanal de Juh Hunzicker

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