A inconfundível voz

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Na época da infância, muitas vezes quando ouvia alguma voz de um locutor de rádio, ficava pensando: como será que é essa pessoa? Que rosto ela tem? E não somente no rádio: basta lembrarmo-nos de Lombardi, por muitos anos o parceiro de Silvio Santos na televisão, a anunciar programas e produtos. O mistério por trás da face de Lombardi sempre foi bastante explorado, tanto por ele quanto pelo Sílvio. No fim, sabíamos que pouco importava se era alto, baixo, gordo, magro, careca ou cabeludo – o que importava era a sua voz, sempre presente, inconfundível.

Aqui em Bauru temos alguns locutores que possuem também vozes incomparáveis, deliciosas. Uma delas (talvez a maior, junto com a do Pedro Norberto) é a do Mário Moraes, que infelizmente faleceu de Covid-19 no dia 30 de Março. Mário trabalhou na Rádio Auriverde, na fundação da 94FM, na TV Globo Oeste Paulista e na Rádio Unesp Fm, e neste último desde 1991. O bauruense que já utilizou os serviços de ônibus para ir a São Paulo já ouviu a seguinte frase, no vídeo da empresa: “Sejam bem-vindos a bordo do Expresso de Prata”. É a voz do Mário Moraes, que sempre estava lá, a nos desejar boa viagem. Também reconhecia a voz de Mário em diversos comerciais de televisão e, mais recentemente, na Rádio Unesp, quando comandava o Manhã Popular Brasileira e o Brasil Instrumental.

Hoje em dia, boa parte dos locutores têm voz e cara conhecidas, muito por conta das redes sociais e das mudanças de paradigma na comunicação, em que a exposição da imagem também é importante para atrair público interessado e ouvinte. E a partir daí ficou bem mais fácil “conhecer” quem está por trás daqueles vozeirões. Porém, há os que ainda preferem manter-se longe dessa exposição, seja por recato ou timidez, ou por não gostarem desse universo.

Numa certa manhã fria de agosto, tive a oportunidade de ir até a Rádio Unesp para conceder uma entrevista. Conversei com várias pessoas, e fui muito bem recepcionado. E lá pude dar rosto a algumas vozes que ouvia na programação. Enquanto conversava no corredor, um senhor passou por mim em silêncio, fez um cumprimento com a cabeça e entrou em um dos estúdios. Descobri, meses depois, que se tratava do Mário Moraes, em uma foto publicada no facebook pelo colega de trabalho dele, o locutor e jornalista Wellington Leite. Mais uma vez, foi possível dar cara para uma voz. Das mais bonitas de Bauru que, apesar de vitimada pela Covid-19, jamais irá se calar.

 

 

 

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