A copaíba

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no google
Google+
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

A copaíba é o mais belo monumento da cidade de Bauru. Mais importante que qualquer monumento de pedra ou de metal. Porque é um monumento vivo. Corre sangue em suas veias, sangue verde, sinal de vida, de esperança, de alegria. É a natureza estuante de vida que corre na seiva verde da nossa copaíba. Ela respira como nós respiramos. Respira melhor do que nós. Purifica o ar que passa por suas células, por seu pulmão verde.

Está muito grande a sua copa. O tronco volumoso, gordo, de um diâmetro formidável, festeja a vida. Que alegria esfuziante não transmite aquele tronco porejando vida. Uma maravilhosa alegria de viver. E a grande copa cobrindo tudo. É toda vitalidade. As folhas verdes, de um verde forte, exuberante, que canta um hino à natureza. Os galhos estendendo-se para todos os lados, cada vez mais para os lados. Esqueceram-se de crescer para cima. Ou quiseram mesmo crescer para os lados, vertiginosamente para os lados. Queriam abarcar a cidade de que fazem parte. Querem abarcar a cidade de que são a alma. Elejo agora, neste preciso momento, neste momento precioso, a Copaíba como a alma da minha cidade. A sua copa muito baixa, baixíssima, que quis ficar perto da terra da cidade. Os seus galhos larguíssimos quiseram abarcar os quatro pontos cardeais, quiseram abraçar comovedoramente a cidade querida.

Está numa pequena elevação, a copaíba. Em um pequeno monte, como um altar. Dali, a sua copa baixíssima, amorosíssima, estende o seu terno abraço, que vai para cada vez mais longe, até quase tocar o chão. Verde. O próprio chão transmuta-se em verde, sorrindo, com a vida que recebe da sua mãe copaíba. As copaíbas produzem um óleo com características quase milagrosas. As suas potencialidades de cura são extensas, como se tudo ou quase tudo pudessem curar. Mas eu falei do monte em que se eleva, que parece um altar. Eu quero falar aqui do caráter sagrado do óleo. Toda árvore deveria ser considerada como um elemento sagrado. Muito próximo ao sagrado. A árvore lembra a presença de Deus. Essa mãe, essa matrona, com os seios a oferecer amor, carinho, abnegação. Essa mãe lembra algo de divino. O acaso é um criador muito pobre para ter dado à luz um ser tão grandioso. Ela precisa forçosamente estar ligada à divindade. Por isso estou pensando no seu óleo. Esse óleo nasceu para ungir. Lembra o sagrado. Não é à toa que povos antigos cultuavam as árvores como deusas. Como o universo se estende sobre nós, a sua copa se estende sobre a terra. Grandiosidade. Um candelabro com folhas verdes em homenagem à vida.

Nossa cidade tem muito pouco verde, pouquíssima vegetação para proteger a sua areia branca, linda, mas estéril. Quase estéril. As árvores não lhe dariam consistência, não a fariam capaz de resistir às erosões, ao assoreamento, a se ferir de buracos e mais buracos? Não a fariam capaz de fortificar-se em húmus, tornar-se regurgitante de vida, em lugar de ser cada vez mais farinha da morte? Um voto pela Copaíba como símbolo da vida. Provou que sabe resistir. Nada maior como símbolo da resistência à destruição do homem. É o universo que nos estende os braços verdes, maternalmente.

*****

No mês de aniversário de Bauru, tão carente de símbolos, apresento-lhes este símbolo tão natural: a sua Copaíba.

A foto não é atual. A Copaíba cresceu muito.

Outras publicações

Rolar para cima